quinta-feira, 22 de maio de 2008

"Ao vencedor, as batatas"

A frase é de um livro que li na oitava série. Um filósofo falava sobre uma guerra em que os vencedores ganhariam batatas pra poderem comer e sobreviver. O que não tem exatamente a ver com o que eu quero falar aqui. É mais porque o personagem do livro que ouvia o filósofo achava que tinha sido um vencedor na sua vida e que tinha ganhado as batatas. Só que ele não percebia que eram apenas batatas, não significavam nada.

Nós vencemos. Clap clap clap pra nós. Mas são apenas batatas. As vitórias de verdade terão de vir a partir de agora. Nós demos a um grupo de pessoas o que elas mais precisavam: alguém em quem por a culpa. Porque agora, além de culparem a faculdade por um serviço mal feito, vão culpar o D.A se ele não fizer nada. Desculpe essa injeção de pessimismo, não é querendo desanimar, é apenas um sentimento de “Vixi doido, é tanto problema, e agora, por onde eu começo?!”. Ouvi por aí coisas interessantes como “não, agora o DA vai resolver tudo”, ou “mas também se eles não resolverem, ninguém mais resolve”, e até “Eita, era pra votar no SIM?! pensei que era NÃO (contra a redução da carga horária)”. Isso ilustra a repercussão que estamos tendo. Não é lá uma Rede Globo manipulando as pessoas, mas não dá pra negar que temos um bom poder de opinião, que por sinal é a especialidade de quem faz Comunicação: mostrar os pontos de vista para as pessoas.

Eu não entendo nada de política, não sei como as coisas funcionam. Nunca entendi porque o Lula não salvou o Brasil. De onde sai o que é preciso para fazer o que é necessário? Eu acho que só precisa de gente disposta a procurar (procurar mesmo!) como se fazer, e é por isso que eu estou dentro. E sem desonestidade, sem dizer que dá pra fazer uma coisa que não dá, sem promessas. A gente diz uma coisa que deveria ser feita, a gente tenta fazer, mostra como aconteceu e vê no que dá. Sempre deixando tudo bem claro entre todos. Pra que não subamos num pedestal que a gente tanto critica.

E mais uma vez recorrendo às batatas: que nós aprendamos a segurar a batata quente na nossa mão, ao invés de ir passando. As coisas não estão funcionando até agora por causa disso. A batata sai da mão do dono da faculdade, vai pro diretor, passa pelos coordenadores, professores, chega pegando fogo na mão dos alunos que jogam a batata quente de volta, e o problema nunca se resolve. Foi a gente que escolheu se queimar, então façamos jus a empreitada.


P.S.: É claro que quanto mais gente pra segurar isso, quanto mais ajuda dos alunos, menos a batata queima.

P.S.2: E chega de batatas.


[Gladson Caldas - Diretor de Rádio e TV]

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Valeu a pena a experiência

Experimentar não é absorver situações e se calar diante dos questionamentos que nos surgem, muito pelo contrário, experimentar é adquirir mais formas de estar no mundo e absorver um pouco mais das outras pessoas. A experiência meus caros, muitas vezes, podem ser faróis que se voltam pra trás, em tentativas desesperadas de se apegar ao táctil, explorado, gasto. Experimentamos essas explosões de novidades nos últimos 40 dias (segundo meus falsos cálculos), onde, levantando bandeiras de resistência, pudemos nos entregar a arte de se fazer um movimento estudantil.

Não, não fizemos passeatas, mutirões, guerrilhas, aliás, fizemos sim, nossa micro guerrilha, que não se impôs com armas, qualquer que fosse, mas que se mostrou firme nas idéias, como sempre ressaltou o companheiro Arquimedes. Estávamos munidos de paixão, certeza, indignação e um pouquinho de loucura, pra temperar o baião de revolução que ressôo nos corredores da Faculdade. A rádio peão, as reuniões em lugares abertos, algumas vezes fugindo da chuva, se esquivando dos pingos, mas com os ouvidos/mentes ali se renovando nas palavras do Laurence Bisol, que inflamou as reuniõess e debates.

Uma vitória fácil? Chapa única, primeiro movimento conciso no curso de comunicação, isso não é motivo para se comemorar? Talvez sim, talvez não... É por que conseguimos agradar a maioria, ou por que conseguimos agregar valores que necessitavam ser encaminhados. Mas ao mesmo tempo, no momento que não há chapa rival, fica um certo desânimo pela falta de oposição inteligente, que possa vir a somar nos debates, afinal, como diz Nelson Rodrigues; toda unanimidade é burra!

Mas quanto às burrices, deixemos com os veterinários, eles sim são especialistas nesses animais simpáticos. Agora o compromisso é com urnas, embora só tenha um nome, a eleição continua existindo. Não vamos deixar que essa Zona Autônoma Temporária (TAZ) caia no esquecimento ou simplesmente se apague, se torne apática e acomodada. Vamos sim, lutar pelo que estamos conseguindo com pequenos, porém importantes passos, e quem sabe nesse jogo da amarelinha possamos alcançar o céu (se é que você me entende).

[Alexandre Grecco - Diretor de Cultura]