quinta-feira, 19 de junho de 2008

O que há com a Educação no Brasil?

Caros (a) Companheiros(a),

A Educação do Brasil não passa por momentos de glórias e sim preocupantes.

Em 13/01/2007, o MEC (Ministério da Cultura) estabeleceu o mínimo para a carga horária dos cursos de edução superior conforme seu parecer (CNE/CES nº 08/2007 http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/2007/pces008_07.pdf).

Com esse mínimo estipulado, a instituição, que é uma concessão pública de direito privado quiser abrir algum curso, terá que seguir essa forma para funcionar regularmente.

Claro, desde aquele Governo de safados onde abriram a edução superior (concessão a instiuições) como se vende carne em açougue de esquina em esquina, fizeram da educação o que não se deveria fazer em um país sério, onde os profissionais que estão sendo formados estão pelo amor de Deus escrevendo até açougue com SS. Crianças, analfabetos e até quem não faz a prova passando em vestibulares, aonde isso foi parar? Será que é para que nosso povo não tenha cultura, não tenha inteligência para entender os problemas do nosso país? Em Cuba vemos o contrário, a população é extremamente culta e não deixa ser dominada.

Voltando ao assunto:
Entenda que o mínimo estipulado é como o salário mínimo de um trabalhador, onde o ele tem um mínimo para ganhar e não é obrigado a reduzir seu salário de R$ 1.200,00 para R$ 415,00, por exemplo, um completo absurdo!

Em Fortaleza(Ceará), várias instituições de ensino superior sob orientação de alguém muito esperto em economia, estão retroagindo com sua carga/horária, a exemplo disso, um curso de comunicação que estão ofertando 3.200 horas durante 04 anos estão reduzindo para 2.700 horas para também em 04 anos (detalhe, uma perca de quase 15% de conteúdo).

É muito contraditório, pois o MEC é claro quanto a essa portaria, mínimo é mínimo, e não uma obrigatoriedade de se nivelar por baixo para quem está acima e sim se estiver abaixo do estipulado, para que assim se enquadre.

Outra coisa que é alarmante também, são que as instituições dizem que fazem a diferença por terem conteúdos afim de que você tenha uma experiência na faculdade que realmente venha valer a pena para ingressar no mercado de trabalho e toma esse tipo de postura.

Pergunta:
Como um acadêmico que iria usufruir de 3.200 horas/aula sairá mais capacitado tendo apenas 2.700 horas?
Se me provarem o contrário, mudo meu discurso.

O que fazer nessas horas e com essas horas?
Fortaleçam a união dos acadêmicos em torno dessa problemática, façam valer mesmo a representatividade de vocês acadêmicos através de seus Centro Acadêmicos (C.A.), Diretórios Acadêmicos (D.A.) e Diretório Central Estudantil (D.C.E.), barulho com a União Nacional dos Estudantes (UNE), abaixo assinado protestando esta prática, realizem assembléias geral com os estudantes e discutam o assunto, conversem com seus senadores, deputados estaduais e federais, vereadores, prefeitos, governadores, representantes de movimentos sociais para que se engajam nesta discursão. E acima de tudo abram um diálogo com a instituição sobre esta questão, pois apesar de tudo, somos clientes e os "prestadores de serviços" não querem criar indisposição com seus clientes, façam prevalecer seus direitos. Quem tem a perder somos nós, exclusivamente, para a instituição é simples, saem X entram X elevado ao quadrado.

Lembre-se:
Essa redução não é para apenas o curso de comunicação, mas para todos os cursos conforme o PDF da resolução (http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/2007/pces008_07.pdf)

Considerações finais:
O único interesse nisso tudo chama-se: DINHEIRO, DINHEIRO, DINHEIRO, é a maldição do capitalismo selvagem.

Josemar Argollo
[Vice-Presidente do D.A de Comunicação]

quarta-feira, 18 de junho de 2008

"Entre os muros da sala"


Essa é uma questão que venho observando nesses últimos dias do semestre. Vejo os corredores da Faculdade lotada de alunos correndo pra lá e pra cá atrás de suas notas. Os professores atordoados, buscando suas pranchetas, vendo o número de faltas, somando e dividindo avaliações. O certo é que alguns riem, outros choram, eu, invariavelmente, só olho. Penso nessas palavras; faltas, avaliações, reprovações, provas, aprovações... Todas dignas de um quartel general. O professor assume a patente do general, aliás, digamos que ele seja o tenente, ele vigia e pune, mas tem um general que observa tudo à distância e quando o tenente não pune é por que se tornou negligente ou subversivo.

Alguns professores então exercem o poder ao extremo. Reprovam aluno por falta, mesmo o estudante tendo atingido as notas, distribuem suas cadeiras numa tentativa horrenda de ter os alunos em seu raio de visão, vigiam o estudante para que ele não olhe a prova do outro. Na verdade o ato da avaliação é um momento de tensão desnecessária, e o pior, aquele momento, durante o semestre inteiro, é o momento crucial para o aluno, como se este não houvesse estudado, participado das aulas e feitos outras avaliações mais corriqueiras. Muitos vão perguntar; mas como manter o controle? Mas que controle? Pra que controle? Por que os muros, por que as salas com pedestal para os professores?

O professor infelizmente vem como o detentor do saber, a pessoa que lhe doutrinará e como ele tem de seguir uma “cartilha”, que é imposta por um órgão governamental, logicamente o que ele passa é a filosofia do governo. O estado manipula a educação, em grosso modo: Estudamos o que o estado quer! Me lembro então de um professor que sempre me diz: “os sonhos do estado são nossos piores pesadelos”. Somos então objetos de manipuláveis, então qual seria a saída dessa amarra que se tornou a educação no Brasil? Talvez o professor como instrumento do saber, tendo, em sala de aula, uma participação menor que o aluno, será?

Acredito que deva haver formas alternativas de educar. Vamos ao projeto Casa Grande, no interior do Ceará, mais precisamente em Nova Olinda. Os alunos têm formas diferentes de olhar o mundo e não através dos olhos do professor. Eles interagem com sua cidade, história e cultura através da tecnologia, através da comunicação e da arte. Eles têm cursos de cinema, fazem programas de Tv e de rádio, tem teatros e oficinas de música. Como levar crianças humildes do interior do Ceará para o mundo? Que tal levar o mundo para o interior do Ceará?

Herbert Marcuse, filósofo alemão da escola de Frankfurt, disse que a nova revolução não viria mais dos operários e sim de outros setores da sociedade, como os estudantes, artistas e “apartidários”. Os operários estão calados, seduzidos pelo consumo de bens materiais. Não quero levantar bandeira de revoluções, aliás, quero sim, a revolução diária, a contestação diária, as formas legítimas de se burlar o sistema que oprime. Vejam os professores, só lhes restam à patente de tenentes para que mantenham seu orgulho, pois o resto lhes foi tomado.

O que temos de nos ater é sobre os conceitos de educação que vigoram em nossa sociedade, nada de muros, de notas, faltas, cadeiras geopoliticamente distribuídas em sala, nada de opressão, onde há governo há manipulação. A sala de aula é um território de leis subjetivas, intrínsecas a cada um, o saber deve ser distribuído a todo o momento não importando a quem ou quando. O professor apenas é um agente que facilita nossa inserção nesse mundo. A forma de olhar tem de ser individual totalmente livre dos olhos do estado.

Alexandre Grecco
[Diretoria de Cultura]