
Essa é uma questão que venho observando nesses últimos dias do semestre. Vejo os corredores da Faculdade lotada de alunos correndo pra lá e pra cá atrás de suas notas. Os professores atordoados, buscando suas pranchetas, vendo o número de faltas, somando e dividindo avaliações. O certo é que alguns riem, outros choram, eu, invariavelmente, só olho. Penso nessas palavras; faltas, avaliações, reprovações, provas, aprovações... Todas dignas de um quartel general. O professor assume a patente do general, aliás, digamos que ele seja o tenente, ele vigia e pune, mas tem um general que observa tudo à distância e quando o tenente não pune é por que se tornou negligente ou subversivo.
Alguns professores então exercem o poder ao extremo. Reprovam aluno por falta, mesmo o estudante tendo atingido as notas, distribuem suas cadeiras numa tentativa horrenda de ter os alunos em seu raio de visão, vigiam o estudante para que ele não olhe a prova do outro. Na verdade o ato da avaliação é um momento de tensão desnecessária, e o pior, aquele momento, durante o semestre inteiro, é o momento crucial para o aluno, como se este não houvesse estudado, participado das aulas e feitos outras avaliações mais corriqueiras. Muitos vão perguntar; mas como manter o controle? Mas que controle? Pra que controle? Por que os muros, por que as salas com pedestal para os professores?
O professor infelizmente vem como o detentor do saber, a pessoa que lhe doutrinará e como ele tem de seguir uma “cartilha”, que é imposta por um órgão governamental, logicamente o que ele passa é a filosofia do governo. O estado manipula a educação, em grosso modo: Estudamos o que o estado quer! Me lembro então de um professor que sempre me diz: “os sonhos do estado são nossos piores pesadelos”. Somos então objetos de manipuláveis, então qual seria a saída dessa amarra que se tornou a educação no Brasil? Talvez o professor como instrumento do saber, tendo, em sala de aula, uma participação menor que o aluno, será?
Acredito que deva haver formas alternativas de educar. Vamos ao projeto Casa Grande, no interior do Ceará, mais precisamente em Nova Olinda. Os alunos têm formas diferentes de olhar o mundo e não através dos olhos do professor. Eles interagem com sua cidade, história e cultura através da tecnologia, através da comunicação e da arte. Eles têm cursos de cinema, fazem programas de Tv e de rádio, tem teatros e oficinas de música. Como levar crianças humildes do interior do Ceará para o mundo? Que tal levar o mundo para o interior do Ceará?
Herbert Marcuse, filósofo alemão da escola de Frankfurt, disse que a nova revolução não viria mais dos operários e sim de outros setores da sociedade, como os estudantes, artistas e “apartidários”. Os operários estão calados, seduzidos pelo consumo de bens materiais. Não quero levantar bandeira de revoluções, aliás, quero sim, a revolução diária, a contestação diária, as formas legítimas de se burlar o sistema que oprime. Vejam os professores, só lhes restam à patente de tenentes para que mantenham seu orgulho, pois o resto lhes foi tomado.
O que temos de nos ater é sobre os conceitos de educação que vigoram em nossa sociedade, nada de muros, de notas, faltas, cadeiras geopoliticamente distribuídas em sala, nada de opressão, onde há governo há manipulação. A sala de aula é um território de leis subjetivas, intrínsecas a cada um, o saber deve ser distribuído a todo o momento não importando a quem ou quando. O professor apenas é um agente que facilita nossa inserção nesse mundo. A forma de olhar tem de ser individual totalmente livre dos olhos do estado.
Alexandre Grecco[Diretoria de Cultura]
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